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Economic Research

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Volume 8, Number 4
Fourth Quarter 2006


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Southeastern Economy to Grow Modestly in 2007

Global Outlook Generally Bright in '07

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Indústria de Carpetes Vive Período de Sucesso na Geórgia

Enquanto a concorrência global esmaga muitos setores produtivos nacionais, a indústria de confecção de carpetes do norte da Geórgia vive uma estabilidade invejável. Fusões, avanços tecnológicos e a necessidade de pouca mão-de-obra resultaram em um grande negócio.

carpet loom
Foto de Brad Newton
Se um dia os carpetes do norte da Geórgia eram feitos à mão nas varandas, as indústrias de hoje usam máquinas do tamanho de um campo de futebol.

No final de outubro muitos analistas de mercado, de Wall Street à costa oeste, prestaram muita atenção quando dois executivos do pequeno vilarejo de Calhoun—com população de 11.000 habitantes—no norte da Geórgia descreviam o desempenho de sua empresa.

Pode-se apostar que Calhoun, onde está situada a sede da Mohawk Industries Inc., é mais conhecida em locais como JP Morgan e Lehman Brothers do que quase qualquer outra cidadezinha do sul. O legendário investidor Warren Buffett também conhece o norte da Geórgia. Em 2001 a empresa de participações de Buffett, a Berkshire Hathaway Inc., adquiriu a Shaw Industries Group Inc. sediada em Dalton, Geórgia, por US$2,4 bilhões.

Banqueiros renomados estão familiarizados com essas cidades situadas ao pé das montanhas do Apalache por serem o centro da indústria nacional de carpetes, que movimenta US$14 bilhões por ano.

Juntas a Mohawk e a Shaw venderam mais do que US$10 bilhões em carpetes e revestimentos para pisos nos primeiros nove meses de 2006, de acordo com os números das empresas. Segundo o Instituto de Carpetes e Tapetes, a associação da classe, cerca de 80% dos carpetes vendidos nos Estados Unidos são fabricados dentro de um raio de 105 quilômetros de Dalton, que fica aproximadamente 130 quilômetros ao norte de Atlanta.

De uma origem modesta a uma gigantesca importância
A confecção de carpetes tem sido importante para a Geórgia desde o início, quando artesões locais montavam confecções de fundo de quintal ao fazer e vender colchas utilizando o sistema de "tufting" [inserção de fios por agulhas em uma base de tela pré-fabricada]. Na década de 30, segundo o Instituto de Carpetes e Tapetes, essa produção supriu a renda de cerca de 10.000 artesões de fundo de quintal.

Finalmente a mecanização transferiu os trabalhadores das montanhas para as fábricas que usavam o sistema de "tufting". Do chenille entrelaçado surgiram capachos e tapetes criados da mesma forma. Fibras sintéticas e máquinas de "tufting" mais desenvolvidas permitiram que as fábricas de Dalton produzissem em massa tapetes e carpetes de qualidade similar e mais baratos do que os produtos de tecido de lã feitos na região nordeste, onde as fábricas de forma geral também utilizavam técnicas de produção menos eficientes e mais caras. A economia florescente do pós-Segunda Guerra Mundial fez surgirem muitos consumidores compradores de carpetes e, com isso, a indústria começou a prosperar.

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Carpet and Rug Institute
Carpet industry overview

Os benefícios de um emprego estável
Independentemente dos altos e baixos, as fábricas de carpetes têm sido boas empregadoras mesmo quando empregos em outras indústrias da Geórgia sofreram quedas. Embora o nível de emprego na indústria de carpetes da Geórgia tenha aumentado em cerca de 32.000 para mais de 40.000 desde 1997, o estado perdeu cerca de 97.000 postos de trabalho na indústria de uma forma geral, de acordo com o Bureau of Labor Statistics [Secretaria de Estatísticas do Trabalho], o Departamento do Trabalho do estado e Randall Patton, professor de História da Kennesaw State University que estudou o setor de carpetes da Geórgia.

A Shaw e a Mohawk são de longe as maiores empregadoras na indústria na Geórgia: a Shaw contava com 19.000 operários e a Mohawk, com 17.186 em outubro de 2006, de acordo com o Departamento de Desenvolvimento Econômico do estado da Geórgia. Nenhuma outra indústria no estado emprega mais do que 8.000 pessoas.

Permanecendo perto de casa
Diferentemente de muitos outros setores, os fabricantes de carpetes, até agora, não transferiram números significativos de postos de trabalho para países onde a mão-de-obra é mais barata do que nos Estados Unidos. Diferentemente da confecção de vestuário e móveis, por exemplo, a confecção de carpetes não exige elevados investimentos em mão-de-obra. O custo da mão-de-obra responde por menos de 10% do custo total da confecção do carpete, disse Frank Boykin, diretor financeiro da Mohawk. As matérias-primas, principalmente derivadas de petróleo, tais como nylon, fibra e polipropileno, respondem por uma parcela bem maior das despesas.

Nas fábricas de carpetes, máquinas enormes e cada vez mais sofisticadas fazem grande parte do trabalho. Em uma das fábricas da Shaw em Dalton, por exemplo, os mecanismos de tear funcionam como gigantescas máquinas de costura. Elas entrelaçam milhares de filamentos de fibras por segundo em telas de polipropileno enquanto três ou quatro empregados trabalham ao som das máquinas que ocupam um espaço do tamanho de um campo de futebol. Nas fábricas de carpetes, máquinas enormes e cada vez mais sofisticadas fazem grande parte do trabalho. Em uma das fábricas da Shaw em Dalton, por exemplo, os mecanismos de tear funcionam como gigantescas máquinas de costura. Elas entrelaçam milhares de filamentos de fibras por segundo em telas de polipropileno enquanto três ou quatro empregados trabalham ao som das máquinas que ocupam um espaço do tamanho de um campo de futebol.

As fibras são alimentadas aos teares por meio de centenas de tubos plásticos. Rapidamente os carpetes prontos estarão em um depósito ou uma loja. Devido a melhorias nas máquinas e operações, os fabricantes de carpetes, atualmente, atendem a mais de 90% dos pedidos de compra no varejo de 24 a 48 horas, disse Julius Shaw, vice-presidente executivo da Shaw Industries. Ainda no final dos anos 80 os lojistas tinham de esperar de duas a três semanas por seus carpetes.

photo of carpet making
Foto de Brad Newton

Além disso, carpetes são volumosos e, portanto, não são fácil nem rapidamente transportados para longas distâncias nas grandes quantidades demandadas pelos lojistas, outro motivo pelo qual as importações não causaram sérios impactos nos negócios nacionais.

Grandes fabricantes de carpetes como a Shaw dispõem de cerca de 22.000 tipos de carpetes, explicou Shaw. Fabricantes como a Shaw e a Mohawk armazenam grandes estoques e fazem remessas às lojas conforme os pedidos vão sendo feitos.

"Uma das coisas boas no setor de carpetes – e por isso eu bato na madeira – é que nós sentimos que, por não demandarmos muito investimento em mão-de-obra, temos um fosso, por assim dizer, em volta do setor que ajuda a nos proteger", disse Shaw, literalmente batendo na ponta de uma mesa de reuniões na sede da empresa em Dalton. "Isso não quer dizer que algum dia não seremos pressionados pela concorrência externa. Mas, isso ainda não aconteceu."

A força de trabalho se torna diversificada
Embora as fábricas de carpetes do norte da Geórgia necessitem mais de capital do que de mão-de-obra, elas, no entanto, experimentaram a falta de trabalhadores. Localizadas em pequenas cidades e em zonas rurais e por não pagarem salários à mão-de-obra profissional mais qualificada, essas fábricas normalmente têm postos de trabalho disponíveis o tempo todo, explicam os executivos e observadores do setor. Mas, a chegada de trabalhadores hispânicos, que começou mais intensamente no início dos anos 90, acabou por remediar grande parte da falta de mão-de-obra.

Patton disse que não existem estatísticas precisas sobre a parcela de hispânicos dentre os trabalhadores do setor de carpetes. Mas, de qualquer forma, é bastante significativa. Na comunidade em geral, mais da metade dos estudantes das escolas públicas de Dalton são hispânicos, de acordo com vários boletins de notícias. Os residentes hispânicos respondem por 40% da população de Dalton e 17% da de Calhoun, comparados a 5% da população do estado, de acordo com o Censo do ano 2000. A maioria deles foi atraída para a região pelas fábricas de carpetes.

Charles Kuck, advogado de imigração baseado em Atlanta e com escritório em Dalton chama a migração de hispânicos para as fábricas de carpetes da Geórgia de " insourcing ", em contraste com o outsourcing [terceirização] de empregos. Muitas das pessoas se mudaram para o norte da Geórgia depois que a notícia sobre o emprego no setor de carpetes se espalhou pelas comunidades de imigrantes na Califórnia e na América Latina. Um ambiente razoavelmente acolhedor reforça tal migração interna, conta Kuck, que trabalhou em grupos do governo estadual que lidavam com imigração e no Projeto da Geórgia, que incentiva a educação bilíngüe nas escolas públicas de Dalton.

photo of carpet weaving
Foto de Brad Newton

Lançado pelo advogado de Dalton Erwin Mitchell com ajuda do co-fundador e diretor administrativo (CEO) recentemente aposentado da Shaw Industries, Robert Shaw e de parceiros na Universidade de Monterrey, no México, o projeto trouxe para Dalton professores que falam espanhol para ajudar nas escolas da cidade e enviou professores de Dalton para o México para aprender espanhol.

"Ainda há focos de discriminação discreta contra os hispânicos, mas, de uma forma geral, é uma comunidade que acolheu os hispânicos," contou Kuck. "Isso por que eles salvaram essa indústria na Geórgia."

Essa tendência de insourcing não deixa de apresentar controvérsias. A Mohawk continua enfrentando um processo que alega que a empresa contratou imigrantes ilegais para segurar os salários.

A estratégia continua sendo devagar e sempre
Mais trabalho duro do que exibicionismo, nos últimos anos o setor de carpetes vem crescendo quase continua, se não normalmente. Desde que a grande recessão do começo dos anos 80 acabou com dezenas de pequenos produtores, eliminou milhares de postos de trabalho e contribuiu para uma rápida onda de fusões, as vendas do setor cresceram praticamente no mesmo ritmo da economia, disse Boykin. De acordo com as informações apresentadas em março de 2006 pela Mohawk para a Securities and Exchange Commission [a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos] os fatores que influenciaram o setor de carpetes incluem "a confiança dos consumidores, os gastos com bens duráveis, as taxas de juros, rotatividade na ocupação de residências, a situação dos setores de construção residencial e comercial e a força da economia como um todo."

O setor de revestimento de pisos como um todo - incluindo madeira, cerâmica, laminados e outras superfícies rijas além dos carpetes – cresceu à taxa média de 4 a 5% nos últimos anos, contou Boykin. Nesse segmento, as vendas de pisos de cerâmica e madeira cresceram de 7 a 8%, e de laminados, ainda mais, de acordo com Boykin. Enquanto isso, as vendas de carpetes vêm crescendo de 2 a 3% por ano, explicou.

"É um negócio cíclico, sem dúvida," acrescentou Boykin. "[Mas], não vimos grandes viradas de um ano para o outro nos últimos 20 anos. Em termos de unidades, em um ano bom, o aumento é de 5 a 6% e em um ano ruim, a queda é de 5 a 6%."

Preparação para uma retração racing for a slowdown
Devido à desaceleração nas construções residenciais, em 2006 os sinais começaram a apontar para um ano ruim. Enquanto a construção de novas residências responde por 20% da receita do setor, de acordo com Boykin e Shaw, a desaceleração no setor residencial tem contado com a contribuição de uma menor demanda de substituição e de maiores custos das matérias-primas derivadas do petróleo para criar, provavelmente, o pior clima para os negócios desde o início dos anos 80 quando a recessão atingiu profundamente o setor.

"Tanto os carpetes residenciais novos quanto as substituições caíram de forma significativa em relação ao ano anterior, enquanto os carpetes comerciais continuaram a crescer," informou a Mohawk em seu relatório de receitas do terceiro trimestre.

photo of carpet making
Foto de Brad Newton

No final do ano, grandes empresas como a Shaw e a Mohawk começaram a se preparar para uma queda. A Mohawk anunciou planos para cortar postos de trabalho e outras despesas. Enquanto isso, Shaw disse que sua empresa está se "preparando para um período de vacas magras", o que poderia incluir a redução do horário de operação de algumas fábricas.

Os executivos não esperam que essa queda seja tão profunda quando aquela do início dos anos 80. Mesmo assim, poderia ser pior do que os problemas temporários de 1990-91 e 2000, disse Shaw.

O principal motivo pelo qual os executivos do setor de carpetes calculam que seu setor seja suficientemente resistente para sobreviver a uma retração sem maiores prejuízos deve-se às fusões ocorridas após a recessão do início dos anos 80. Um setor fragmentado de mais de 200 fabricantes na década de 70 é hoje dominado por menos do que meia dúzia de empresas grandes e financeiramente sólidas, lideradas pelas duas potências da Geórgia, a Shaw Industries e a Mohawk. Essas duas empresas juntamente com a Beaulieu of America, também sediada em Dalton, são responsáveis por mais de 70% dos US$14 bilhões dos negócios de carpetes nacionais, disse Boykin.

Felpudos estão fora de moda e madeiras maciças, na moda
Já que o gosto dos consumidores mudou, essas empresas estão produzindo mais do que carpetes. Conforme ressaltou Julius Shaw, há 20 anos os carpetes representavam 75% de todos os pisos vendidos nos Estados Unidos, enquanto hoje, representam cerca de 60%.

Desta forma, as empresas de carpetes diversificaram suas linhas de produtos. Por exemplo, em outubro de 2005 a Mohawk adquiriu a Unilin Systems, fabricante de pisos laminados baseada na Bélgica, por US$2,66 bilhões. As grandes fabricantes de carpetes, diferentemente das empresas de pisos maciços, detém o capital e o relacionamento com os varejistas de piso para tornar práticas tais aquisições, disse Boykin.

E aquisições não são nenhuma novidade no setor. A Shaw Industries contribuiu com a primeira onda de fusões nos anos 80 e 90 quando, na década de 70, começou a comprar fabricantes de fibras, polipropileno e outros ingredientes usados na confecção de carpetes. Após a conclusão dessa etapa, a Shaw começou a adquirir outros fabricantes de carpetes e a assumir o controle da distribuição, no atacado, de seus produtos. Outras fabricantes logo fizeram o mesmo.

Será que 2007 trará novos desafios?
O setor de carpetes inicia 2007 enfrentando o que poderá ser seu período mais difícil em 25 anos. Parece estar preparado para tal. O setor de revestimento de pisos atual caracteriza-se por menos fabricantes, mais diversificados e mais sólidos financeiramente do que as empresas do início dos anos 80 e, portanto, melhor preparados para um desaquecimento nas vendas. Ainda assim, a situação das indústrias nacionais a longo prazo depende de vários fatores, inclusive da economia nacional e da influência das importações, dizem os executivos e observadores do setor.

Será que continuará a ser um negócio nacional? "Até o momento," disse Julius Shaw, "acreditamos que sim."

Este artigo foi escrito por Charles Davidson, escritor da equipe para EconSouth.